terça-feira, 11 de junho de 2013

Grão de Poesia


Sementes de girassol
para fazer brotar a poesia:
Mensagem na garrafa
  ao oceano onírico
a procura de quem queira
cultivar a fantasia.

- Bianca Velloso -

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Peixonauta e os devaneios de uma mãe esquisitinha



Faz pouco tempo que minha filhota descobriu o “Peixonauta”. Inspirado no cinema noir – apesar de utilizar cores vibrantes – é um desenho animado que narra os casos misteriosos do detive “Peixonauta” e de seus amigos Marina (uma menina) e Zico (um macaco). Muito bem produzido, sem nenhum tipo de violência, valoriza a preservação da natureza, a amizade e a solidariedade. É lindo. As músicas me soaram bastante familiares, até que resolvi pesquisar e descobri que se trata de uma animação 100% brasileira. Pronto, era o que faltava para que me apaixonasse de vez. Agora estamos as duas, mãe e filha, viciadas no “Peixonauta”.
Antes, porém, de me deixar encantar pelo peixe que voa e vive fora d’água protegido por sua roupa de astronauta, pensei com a cabeça de adulto: “Meu Deus! Que viagem! Como pode uma mente ser criativa assim a ponto de inventar um peixe com roupa de astronauta?! Por que isso?! Não podia ser algo mais simples?! Ô mente fértil essa, não?!” 
Aí lembrei que também tenho meus delírios...
Às vezes até consigo fazer com que algumas pessoas embarquem comigo, mas a maioria fica me olhando com cara esquisita – para essas eu devolvo o olhar esquisito e tento imaginar o que estão pensando de mim, de certo pensam que uso drogas, que sou maluca, esquizofrênica ou sei lá o quê. 
Juro que é tudo da minha cabeça, nunca li sobre isso, nem fui pesquisar... Gosto de embarcar nesta viagem como gosto de imaginar que ela é autêntica, inédita... Mas deve haver outros malucos como eu que viajam na mesma sintonia... Existe uma parte da óptica física que determina o mínimo e o máximo visível, quer dizer que o olho humano tem suas limitações. Alguns equipamentos (como microscópios, telescópios, satélites e afins) conseguem ampliar nossos limites visuais, mas ainda assim existem espaços que a humanidade não consegue visualizar – e talvez nunca consiga – principalmente no mundo macroscópico.
Penso na grandeza do Planeta Terra e na nossa pequeneza diante do Universo e ao mesmo tempo penso no mundo microscópico, naquilo que não podemos ver a olho nu, em cada componente das células que formam o corpo humano, nos microorganismos que vivem no interior do nosso corpo... E penso nas doenças que são produzidas quando há um desequilíbrio orgânico: a cândida, por exemplo, é um microorganismo que compõe a flora vaginal, quando o ph deste meio fica mais ácido, este fungo multiplica-se demasiadamente causando a candidíase. Outra analogia que pode ser feita é com o câncer. Segundo o Dr. David Servan-Schreiber, todos nós temos células cancerosas no organismo, mas nem todo mundo desenvolverá a doença. Em algumas pessoas, por algum motivo que a ciência ainda não consegue explicar, estas células se proliferam e se transformam de forma que originam os tumores, novamente remetendo a um desequilíbrio sistêmico.
Se tudo isso acontece dentro da gente, e se pudéssemos olhar para o nosso organismo do ponto de vista das células ou dos microorganismos, provavelmente este seria infinito... Então, quem garante que o universo é mesmo infinito? Não seria o Planeta Terra uma célula de um organismo muito maior? Um órgão talvez... E por tudo o que tem acontecido por aqui – a maneira como temos tratado o lugar onde vivemos, o desmatamento, a exploração econômica, desigualdades sociais, a falta de solidariedade... – não seríamos microorganismos multiplicando-nos de maneira desordenada, deixando doente este organismo denominado Universo? E as catástrofes naturais talvez sejam reações a algum fármaco ou outro tipo de tratamento que o Universo está fazendo para se curar.
Muita viagem da minha cabeça? Será uma hipótese possível? Não sei... Mas gosto de me perder nestes devaneios de vez em quando... Não gosto da ideia de que a humanidade é superior a tudo o que existe, nem de que nossa existência é de uma superioridade incontestável. Depois que descobri o peixe-astronauta resolvi não esconder minhas fantasias, meus devaneios... Existe gente com a mente muito mais fértil do que a minha e que não é considerada maluca, pelo contrário, até ganha dinheiro com isso! Aliás, a maternidade me permitiu ou me trouxe de volta a capacidade de exercitar as fantasias... Ao lado de uma criança deixamos a imaginação fluir... E é delicioso ser ridículo com os filhos. Pensando bem, eu não posso permitir que a razão estrague minha fantasia de estar vivendo dentro do corpo de alguém, mas adoraria que o “Peixonauta” me ajudasse a desvendar este mistério!

 - Bianca Velloso -

quarta-feira, 5 de junho de 2013

As cores das palavras



As palavras
quando começam 
a se encontrar
no pensamento
com desejo de poesia
- ou de canção -
são muito mais belas
do que quando 
chegam no papel
mas só ganham cores:
quando tocam
um coração.

- Bianca Velloso -

Insônia 3



É madrugada
e todos dormem...
menos o teu eu
pulsando aqui
dentro de mim
chama acesa 
de desejo e poesia...

- Bianca Velloso -

terça-feira, 4 de junho de 2013

Essa vida da gente



Que loucura é essa vida da gente:
a gente se encontra e descobre
que partilha das mesmas dores
das mesmas lutas, dos mesmos amores

Que loucura é essa vida da gente:
a gente se encontra e descobre
que toda história é cheia
de mares, de rios e marés

Que loucura é essa vida da gente:
a gente se encontra e descobre
que nenhuma família é normal

Que loucura é essa vida da gente:
a gente se encontra e descobre
que no fundo todo mundo é parente

- Bianca Velloso -

terça-feira, 28 de maio de 2013

Menina-Moleca

Nunca entendi nada de futebol. Nem de torcida. Lá em casa o pessoal é gremista. Sempre preferi o vermelho ao azul - coisa de mulher metida a revolucionária - , mas, para não abalar a paz familiar, me assumo gremista também. Minha mãe e meu irmão, além do Grêmio, torcem para o Avaí e, pelo mesmo motivo, até pouco tempo, eu também era avaiana.

Até que minha filha - cujo pai e avô são torcedores do Figueira - me pediu para torcer pelo branco e preto:

- Tá bom, filha, o que tu quiseres que eu seja, eu sou!

Palavras... Só palavras... A verdade é que sempre me faltou paciência para torcer. Além do mais, estudando a visão, creio que me falta coordenação ocular para acompanhar a trajetória da bola.

Como se não bastasse me pedir para trocar de time, a danada resolveu ser jogadora. Faz um mês que ela está na oficina de futsal da escola. E o pior é que leva jeito! Eu fico ali na arquibancada, assistindo ao treino, toda orgulhosa, babando, contendo as lágrimas, completamente emocionada. 

Aos poucos começo a entender as belezas do futebol, aquilo que já não existe mais nos grandes times. O futebol dos grandes tem a lógica do capital, é individualista, é lucrativo... O futebol dos pequenos é pura brincadeira, cooperação, companheirismo...



E lá vai minha moleca, única menina no meio da rapaziada: faz um gol e até quem é do outro time vem abraçá-la e festejar! Como a gente aprende com as crianças!


 - Bianca Velloso - 



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Marcha das Vadias Floripa 2013 - pelo fim da cultura do estupro

Aconteceu no último sábado, dia 25/05 a segunda edição da Marcha das Vadias em Florianópolis, um movimento que luta “pelo fim da cultura do estupro”, pela liberdade das mulheres, pela igualdade de gêneros, pelo fim da homofobia e do racismo!

A primeira Marcha das Vadias ocorreu em Toronto, no Canadá, em 2011, quando um policial daquela cidade orientou as mulheres "evitarem se vestir como vadias para não serem vítimas de estupro”. Na ocasião aproximadamente 3 mil pessoas participaram do protesto, que em seguida se internacionalizou.

A batalha é contra a violência, lembrando que “violência não é só física, é também psicológica e simbólica.”

“Lugar de mulher é em qualquer lugar, em qualquer horário e com a roupa que ela quiser!”