quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sobre bebidas de aniversário

Nunca gostei de servir bebida alcóolica em aniversário de criança, mas o aniversário da Helena é no auge do verão, na semana entre Natal e Ano Novo, quando a maioria das pessoas está de folga, de férias... Este ano convidamos poucas pessoas, todas conhecidas, que gostam de cerveja e que sabemos que não vão passar da conta, dar vexame, enfim...

Durante os preparativos da festa, que começou um dia antes, deixei um pensamento escapar para a fala:

- Acho que este ano vou comprar umas cervejinhas para oferecer aos adultos no teu aniversário, filhota!

De pronto me respondeu muito séria:

- Não, não, acho melhor oferecer um vinho!

29/12/2011 - 4 anos

Hoje está fazendo quatro anos que olhei pela primeira vez nos olhos da pessoa mais importante da minha vida! Aquela que me ensina diariamente a ser mais doce, mais paciente e mais criativa, que resgata o meu olhar para as coisas simples e gostosas da vida. Aquela que testa comigo os seus limites todos os dias, como quem cultiva asas para um dia alçar voos pelo mundo, que talvez até resolva pousar em terras distantes. Aquela que terá o meu amor para sempre! Feliz Aniversário filhota! Que tua vida seja iluminada, que eu possa ser sempre o teu porto seguro, teu ponto de apoio! Te amo!

domingo, 13 de novembro de 2011

Trabalho Infantil

Ontem Helena quis ir para loja comigo. Ela adora brincar de fazer limpeza. Enquanto eu atendia, pegou pano e limpa-vidros e foi esfregar a vitrine - dá para imaginar a lambança que ela fez, né? Uma moça que passava por ali resolveu fazer graça com ela:

- Oi! Estás trabalhando hoje?

- Não! Eu sou criança! Criança não trabalha!

- Ah, tá... Estás só fazendo um free então...

- É!

Assim que o cliente saiu a moça entrou às gargalhadas para me contar!

Constatações...

Helena constatou:

- A mamãe tem a voz parecida com a da Tia Calaca! E a voz do Val se parece com a do Papai Noel e a do Coelho da Páscoa!

Sobre a vinda do Papai Noel

Estávamos montando a árvore de Natal quando o telefone tocou: era a Tia Calaca, falando lá do hemisfério norte. Helena atendeu:

- Oi Tia! Eu estou montando a árvore de Natal com a mamãe!

- Ah, que legal! O Papai Noel vai aí?

- Vem sim!

- E será que ele vem aqui na minha casa também?

- Tia Calaca! Aí na França é inverno! O Papai Noel só vem no verão!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Realidade e Imaginação

O Val tem duas filhas, Marina e Luiza. A Luiza mora em São Paulo e nós já conhecemos, hoje chega em Floripa com o namorado para passar o fim de semana conosco. A Marina morou um tempão nos Estados Unidos e chega por aqui no fim do ano.

- Helena, a Luiza e o Thiago estão chegando hoje!

- Oba! Eu vou brincar com eles! Eu adoro a Luiza! Eu gosto mais da Luiza do que da Marina!

- Ah, filha, isso deve ser porque a Luiza a gente já conhece, já brincou com ela... A Marina a gente só conhece pelo computador!

- É, né, mãe? A Luiza a gente conhece de verdade e a Marina só existe na nossa imaginação!

Sobre as coisas simples (ou Sobre o privilégio de morar em Florianópolis)

Apesar do trânsito cada vez mais caótico e dos engarrafamentos que nos fazem passar horas ao volante, morar em Florianópolis pode ser sim um privilégio. Basta que se tenha olhos sensíveis e atentos.

Passo todos os dias pela Lagoa da Conceição para chegar ao trabalho. De vez em quando paro no meio do caminho para admirar a beleza, principalmente quando estou voltando para casa, no fim da tarde. As imagens nos enchem os olhos e a alma. Uma vez fiz o trajeto de bicicleta, com a liberação das endorfinas que a atividade física proporciona, tudo fica ainda mais lindo! É uma pena que andar de bicicleta por aqui ainda seja muito arriscado (não existem ciclovias na Lagoa e a maioria dos motoristas não respeita os ciclistas - nem se dão conta de que uma bicicleta na rua é um carro a menos trancando o trânsito!).

Ontem de manhã, dirigindo a caminho do trabalho, vi uma cena emocionante: uma pata na Lagoa com seus patinhos todos nadando atrás. Helena estava comigo. Dei meia-volta e parei o carro:

- Olha lá, filha, que coisa linda! Estás vendo a mamãe pata com os patinhos?

- Estou! Que legal!

Ficamos uns minutinhos admirando o nado daquelas criaturinhas, depois seguimos nosso rumo. Alguns metros a frente, Helena pediu:

- Mãe, para o carro que eu quero te mostrar uma coisa!

Onde estávamos era impossível, parar, já estávamos quase entrando numa via mais movimentada:

- Ah, filhota, agora não dá mais para parar, o que queres me mostrar?

- Um passarinho ali andando na grama!

Não sei o quanto sou eu e o quanto é ela que me ensina! Obrigada, minha filha, por me fazer olhar cada vez mais para as coisas simples!