domingo, 2 de dezembro de 2012

Vivendo literatura

"Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu" - Chico Buarque em Sem Fantasia



Gosto do meu trabalho das manhãs de sábado. E gosto da viagem solitária de uma hora que enfrento para chegar ao local.

Ligo o som do carro: Oswaldo Montenegro cantando músicas do Chico. O pensamento voa. Um turbilhão de ideias e sensações, sonhos misturados... Penso no homem que resolveu alojar-se em meu coração... Os sonhos agora são todos com ele... 

Ele colocou-me dentro de um livro (é a maneira que sinto nossa história). Um livro ainda não escrito (será?). Estar dentro de um livro não é prisão. É liberdade. Expansão. Conhecê-lo me ajuda a libertar-me dos meus próprios dogmas e paradigmas - ao  mesmo tempo em que acolho os dele, sem tomá-los para mim, apenas para entender e sentir este homem em mim. É tão bom exercitar a liberdade ao seu lado...

Ai, ai! Deixa eu respirar, recompor-me e começar a trabalhar...

Ah, nego! Gosto tanto de ti! Que bom seria se existisses de verdade!

- Bianca Velloso -

sábado, 1 de dezembro de 2012

Meu amado Arnaldo Antunes - uma declaração de amor



Estive pensando no que me faz gostar tanto da música do Arnaldo Antunes... É esta capacidade de ser tão flexível, de não ficar preso a nenhum estilo, nenhum estigma. A capacidade de passear entre o romantismo e o erotismo, os sonhos e a realidade. Ora doce e delicado, ora escroto e contundente, sem perder a coerência nem a consistência. Ser ao mesmo tempo corpo e alma. Ser humano.

- Bianca Velloso - 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pedro Port



Eis que encontro a doçura
A pétrea doçura do poeta
que puxou conversa
e me ofereceu seus versos
numa corriqueira tarde de terça-feira
na Lagoa da Conceição.
Com carinho aceitou levar
minha singela poesia cotidiana.
Leu. Afagou-me a alma
Devolveu-me ternura
Acertou meu coração.
Feliz encontro:
ele vem comigo
e eu vou com ele!

- Bianca Velloso -

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Ah, o amor!



Recebi de presente esta frase:

"O amor é um pássaro rebelde: não aceita gaiolas".

Então respondi:

Tenho um coração escorpiano,

Tinhoso que só ele!

Não me obecede nunca!

E desconhece a palavra calma.

Resolveu, por conta própria, alçar voo.

Voo kamikaze? Talvez sim...

Enfrenta a razão com uma coragem

De dar inveja ao mais destemido guerrilheiro!

Fico eu aqui com um frio na barriga...

E um medo sem tamanho!

Mas é tão bom...

- Bianca Velloso - 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Decifrando a leitura e a escrita


Helena está ensaiando os primeiros passos na grande aventura da palavra escrita. Até pouco tempo escrevia meu nome deste jeito: BIACA. Observando minha escrita percebeu a presença do "N", mas até então não entendeu sua função ali. Passou a escrever BIACNA. Não corrijo, afinal ela não tem nem 5 anos ainda e tudo isso é, para ela, uma bela brincadeira. E é assim mesmo que tem que ser por enquanto! Hoje verbalizou a dúvida:

- Mãe, por que o N do teu nome não tem som?

- Tem som sim, filha, é Biannnnca. Se não tivesse o N ficaria Biaca.

- Não, mãe, se o N tivesse som ficaria Biâncana!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Os sonhos de Helena

Como a musa de Galeano, minha Helena também sonha. No próximo mês ela completará 5 anos:

- Mãe, eu sonhei que os teus óculos cairam num bueiro perto da minha escola. Aí eu tirei os meus óculos também e não conseguia enxergar nada!

Como ela consegue fazer uma construção complexa assim? Sim, em outras palavras ela estava dizendo: "Mãe, o meu olhar depende do teu! O teu olhar direciona o meu!" A verdade é que meu olhar também se alimenta do dela!

Isso me fez lembrar outro texto do Galeano:

"Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar!”

- Bianca Velloso - 

sábado, 3 de novembro de 2012

Coisas de Helena

- Mãe, eu te amo! Te amo até o espaço sideral! Até o mais longe de espaço sideral: até o Planeta Mercúrio!

- O Planeta Mercúrio é o mais longe do espaço sideral?

- É!

- Então tá! Te amo filhota! Até o infinito! Linda da mamãe!