segunda-feira, 8 de maio de 2017

o que me dá água na boca
é a língua
.
não a língua de comer
o que me dá água na boca
é a língua que não se sacia
:
a língua de falar
a língua de beijar
e a língua de foder

(Bianca Velloso)
se algum dia
por ventura
minha poesia te ruborizar

não me leva a mal
é que na palavra
a liberdade é o meu lugar

(Bianca Velloso)
ah, esses tempos
de amor enlatado
.
.
.
o desejo espreita
o grito engasgado
rito virtual
faz da realidade
fantasia
literatura que tortura
os dias
e o ventre
:
o sexo exposto na vitrine
tal qual fast food
food truck gourmet

(Bianca Velloso)

terça-feira, 2 de maio de 2017

no ponto equidistante
entre o início e o fim
está o princípio do precipício
.
fácil é atestar a incompetência
do outro
.
difícil é ser doce sem ser dócil
.
fácil é apontar o erro
do outro
.
difícil é reconhecer os acertos
da gente
.
diferentes entendimentos
para a mesma questão
apagando as linhas e as lisuras
do que um dia foi amor

(Bianca Velloso)
agora
o nó aperta
a garganta, o peito, a hora
agora
o desejo já não pulsa
nem há pulso
agora
não há espera
nem demora
agora
o nada e o tudo
o luto
agora
a vida foi embora
agora

(Bianca Velloso)

hoje o céu é poesia
:
de todas elas
prefiro a lua nova
quarto quase crescente
lua que se insinua
semi nua
noite grávida
de promessas
e de estrelas

(Bianca Velloso)
se você ainda não acordou
acorda logo
:
o capital não faz acordos
com a força de trabalho

(Bianca Velloso)